Comunidade Filhos de Maria Formação Pilares da Quaresma (1/4)

Pilares da Quaresma (1/4)


Pilares da Quaresma: Oração, jejum e Caridade

(Texto e locução por Érika Teles)

“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos; rasgai o coração e não as vestes; e voltai para o Senhor, vosso Deus; ele é benigno e compassivo, paciente e cheio de misericórdia, inclinado a perdoar o castigo” (Joel 12, 12-13).

No tempo da quaresma, período de 40 dias em que nós, católicos nos preparamos para bem vivenciarmos a festa litúrgica mais importante do calendário cristão, a Páscoa do Senhor, a Celebração de sua Ressureição. Tendo início na quarta-feira de cinzas e seu termino na quarta-feira santa, a quaresma é tempo de conversão. Somos convidados a rever nossas práticas cristãs, nosso modo de vida e a voltar o nosso olhar para o Cristo, sentido de nossas vidas. Quaresma é tempo de voltarmos para o Senhor, silenciar e viver com Ele. Para nos ajudar na vivência desse tempo tão rico e fecundo a santa mãe Igreja nos propõe os seguintes pilares: a oração, o jejum e a caridade.

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O que aprendemos no desertoO que aprendemos no deserto

(Texto e locução por Érika Teles)

Quando se fala em deserto logo pensamos: é um lugar quente, árido, de difícil acesso, com pouca agua, pouca comida, um lugar com muitas dificuldades. A sobrevivência no deserto é um tanto desafiadora.

Na vida espiritual, nós, cristãos, também passamos por períodos de deserto, onde Deus parece estar distante, longe, onde as dificuldades e desafios parecem cada vez maiores. Nos sentimos desanimados, tentados a todo tempo, na maioria das vezes, pensamos estar sozinhos. Porém, apesar de toda essa turbulência, se bem vivido o tempo de deserto pode ser bem fecundo. Deus nos coloca no deserto para aprendermos que não vivemos só de pão, que não somos capazes de viver sozinhos, mas que dependemos Dele. No deserto aprendemos a ser pobres e a depender Dele.

É no deserto que aparecem os demônios e é necessário combater os demônios para se assemelhar a Cristo, é Ele o nosso modelo de homem novo e de mulher nova. Tudo aquilo que me coloca em crise é deserto, mas esse deserto nos leva a um autoconhecimento e ao conhecimento de Deus. É um momento doloroso mas necessário. Sem a tentação só conhecemos a ilusão.

Portanto, no deserto aprendemos a ser mais de Deus, a confiar a Ele toda a nossa vida, aprendemos a viver o abandono e a confiança.

Érika Vilela, nossa fundadora, nos ensina que “Em grandes momentos de dor surgem grandes obras de amor, obras de paz.” Aprendemos que todo momento, por mais difícil e doloroso que seja, vivido diante de Deus é bonito. Se você vive um tempo de deserto aproveite para fazer desse tempo um tempo fecundo e para fortalecer a sua fé, confiando que apesar do sentimento de ausência, Ele, sempre está presente.

Ide por todo mundo anunciar!Ide por todo mundo anunciar!

 Jesus ao dizer essas palavras disse a todo aquele que quisesse seguir. Não somente alguns escolhidos a desbravar os continentes, mas a todo coração desejoso de anunciar um novo Reino, uma nova vida. 

Também hoje, Ele nos faz esse mesmo convite. Não a alguns, mas a todos. Ouçamos o clamor da África por socorro, da Ásia, da Arábia por paz; escute as crianças não evangelizadas e que não conhecem o motivo de nossa esperança. Deixe-se alcançar pelo apelo de tantos aqui mesmo do nosso país, da nossa cidade, do nosso lado… Às vezes a terra de missão que está a clamar está na nossa casa, basta estarmos com o coração a escuta, aberto, ou melhor alargado para perceber a dor e a necessidade de evangelização do outro.

O que é ser missionário em nossa Comunidade? Em nossa Comunidade, ser missionário é todo aquele que ama e torna Jesus amado, é quem cuida das feridas do outro, quem escuta o coração que sofre, quem aconselha, quem silencia, que varre a casa de quem precisa.

Um missionário Filho de Maria serve no Amor e ama no servir. Para ele, as duas coisas estão sempre ligadas. É alguém também de anúncio, que tem a língua abrasada pelo Evangelho. Não se deixa intimidar e não teme as adversidades que acompanha aquele que se compromete com a verdade.

É uma pessoa livre, alcançada por Cristo, por isso pode compreender que missão é toda circunstância de anúncio, todo momento ou oportunidade de amar o outro gratuitamente por Jesus, em Jesus e para Jesus. Sabe que estando sempre em estado de evangelização, todo aquele que eu encontrar se torna imediatamente terra de missão. Alguém em que posso deixar o Amor de Cristo transbordar, inundar por todos os lados até que Ele se “cristifique”. Essa é a base de nossa ação missionária amar, amar, transbordar de Amor até cristificar o outro.

Quando me converti à fé católica, fiz um contrato com Jesus que a partir de então minha vida teria um chamado: Amá-Lo e torná-lo amado entre os homens, principalmente entre os mais pobres entre os pobres. E hoje isso se começa a realizar, só começa, porque não alcançamos os mais pequenos e eu ainda estou longe de ser missionária do coração de Jesus, a pobrezinha de Deus e amiga dos homens.

Espero que compreendam a riqueza que é ser missionário e não deixem perder esse desejo no coração da Comunidade jamais. Porque como ouvirão falar de Jesus aquele que nunca ouviram nada Dele se não há quem pregue! Se não há quem queira ir! Pois missão é partir!

Temo muitas vezes que a beleza da missão, do sentido da missionariedade fique oculto ou esquecido entre tantas outras realidades da vocação e que usemos máscaras de aceitação de vida missionária, de ir em missão, enquanto o coração está cheio de correntes. Está preso a si mesmo e às suas vontades, repleto muitas vezes de seus próprios projetos e não dos projetos de Deus. A sinceridade e a verdade diante de Deus são condições essenciais de um coração missionário para que seja sempre o Coração de Cristo e não o nosso a ir ao outro, pois só o coração de Jesus é capaz de curar, libertar, dar vida nova, por nós mesmos não fazemos nada, sabemos que quem tudo pode e faz é Jesus. Assim jamais temos algum mérito. Mas se acontece do coração do discípulo não ser sincero ou livre então muitas vezes a missão fica em risco e se faz necessário que os irmãos estejam atentos para não darmos aos outro nada além de Jesus! Corre-se o risco de dar-nos a nós mesmos e quando isso ocorre, mata-se aos poucos o irmão!

E na evangelização nada é mais triste! Para Jesus, compara-se a um escândalo, e seria antes melhor colocar uma pedra no pescoço e lançar-se ao abismo, a fazer cair um de seus pequeninos! Um de seus amados! Cada alma, cada pessoa tem um valor inestimável para Jesus! É solo sagrado! O ato de evangelizar deve ser feito com preparo, cuidado amoroso, em alerta, atento as necessidades do outro, mas, sobretudo em profunda unidade, de coração a coração, pensamento a pensamento, ato a ato com Jesus.

Assim sendo, nossa vida missionária é um desafio constante, porque não se faz em um momento. Não é um ano missionário; ou serei missionário durante as férias, nos fins de semana, e ainda em momentos de calamidades. Não. Como já disse, é uma vida missionária. Durmo e acordo missionário, meu trabalho ou estudo é missão, varrer a casa, levar o lixo, fazer o almoço, lavar o banheiro, partilhar o coração, ir à oração comunitária, ou liturgia das horas, pregar retiros nas comunidades rurais ou trabalhar nos projetos, servir à paróquia, viver o fraternitas, ouvir o irmão nos seus conflitos e apoia-los é missão, todo o decorrer do meu dia é missão, porque ser missionário para nós não é estado passageiro, é condição permanente da minha pertença a Cristo. Sou dEle e para Ele. Então também sou seu discípulo e missionário para todas as circunstâncias e nações.

Com esse pequeno ensinamento espero ter ajudado um pouco a formação e a vocês queridos filhos, a sentirem o grito da sede do povo clamando por evangelização dentro de si e confio que ouvireis a resposta de cada um ao apelo da Igreja: como enviar se não há quem pregue? Se não há quem queira ir? – Eis-me aqui, Senhor! Eu vou!

Deus os abençoe e os façam santos e missionários. Sobre a intercessão de Santa Teresinha e São Francisco Xavier. No Amor Misericordioso do Pai. 

Érika Vilela, fundadora da Com. Filhos de Maria e psiquiatra. 

Pilares da Quaresma (4/4)Pilares da Quaresma (4/4)

Pilares da Quaresma: A CARIDADE
(Texto e locução por Érika Teles)

Segundo o padre Duffé, secretário do Dicastério no Vaticano: “A caridade– ágape – é o amor que vem de Deus, nos chama e nos leva a aprender de novo a amar os outros, com respeito e humildade.” A caridade também conhecida e traduzida como amor é o ato de ofertamos ao outro muito mais do que algo material, ofertamos a nós mesmos.

Um dos vícios que mais assolam o ser humano é a ganancia, o desejo pelo ter sempre mais, com a prática da caridade, vamos moldando o nosso ser na virtude da humildade, da solidariedade, da partilha. Oferecemos ao outro, ao nosso irmão aquilo que queríamos e estimávamos tanto, vamos aos poucos nos desapegando das coisas matérias, das pessoas e vamos buscando aquilo que é essencial, a intimidade com Deus, a vida com Ele e Nele.

A caridade é um ato concreto, é a prática do amor, é o acolher a realidade de que não somos os senhores de tudo, que o que dá realmente sentido à vida é o amor testemunhado na partilha de bens, de vida. A partilha do dom do amor. Isso é caridade.

E aí, você topa doar de si nessa quaresma?