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Um abandono total ao Amor


No dia 15 de maio de 2022, o Papa Francisco canonizou 10 novos santos para a Igreja Católica. Durante a homilia, o Papa nos lembra que a santidade “não é feita de alguns atos heróicos, mas de muito amor diário.”

Entre estes novos santos, temos Charles de Foucauld, um sacerdote francês cuja história tocou muito nossa comunidade. Confira a seguir no texto de Maria Clara Novaes.

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Como comunidade, conhecemos São Charles de Foucauld, quando ainda era Beato e tornou-se uma devoção pessoal de nossa fundadora Érika Vilela. Este santo viveu uma vida escondida e silenciosa, sendo também um grande fracasso aos olhos humanos, pois passou a maior parte do tempo sozinho e sem frutos. Sua obra só ficou conhecida depois de seu martírio. A história dele foi uma manifestação viva das palavras do Papa Francisco, na missa de sua canonização: “Enquanto o mundo quer muitas vezes convencer-nos de que só temos valor se produzirmos resultados, o Evangelho nos lembra a verdade da vida: somos amados.”.

São Charles de Foucauld nos faz um convite, próprio de quem vive essa pobreza, principalmente de si mesmo: “Alegrai-vos! Alegrai-vos por sua felicidade. Que nosso coração lute na alegria e na paz, porque esse que nós amamos mais que a nós mesmos, está numa felicidade e numa paz infinitas, perfeitas, imutáveis. O amor consiste não em sentir que amamos, mas em querer amar”. Ele era um homem apaixonado por Jesus Cristo e nos inspira em suas loucuras de amor!

“Meu Pai, a vós me abandono. Fazei de mim o que quiserdes. O que de mim fizerdes, eu vos agradeço. Estou pronto para tudo, aceito tudo. Contanto que vossa vontade se faça em mim e em todas as vossas criaturas.

Não desejo outra coisa, meu Deus.

Entrego minha vida, em vossas mãos, eu vo-la dou meu Deus, com todo amor do meu coração, porque eu vos amo e porque é para mim uma necessidade de amor dar-me, entregar-me a vós sem medidas, com infinita confiança, porque sois vós meu Pai”

(São Charles de Foucald)

A atitude de abandono é própria de nossa vocação que se inspira na infância espiritual, na entrega confiante de nosso ser a Deus e a sua Vontade, pois ama e confia no Amado e sabe que esse só pode querer o bem. Assim como a benevolência é própria do amor e também a confiança. Essa atitude de abandono e de confiança traz a nós a paz divina, só encontrada por quem esquece de si mesmo e confia que as chamas do amor queimam toda e qualquer lembrança das faltas do passado. O abandono total consiste em dar-se todo a Deus, porque Deus se dá todo a nós!

São Charles de Foucauld nos impele em nosso caminho de santidade, na certeza de que cada um de nós tem um chamado único e irrepetível, devendo realizá-lo com alegria.

Por Maria Clara Novaes

Missionária Consagrada na Comunidade Filhos de Maria

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Quer conhecer um pouco mais sobre a vida destes santos? Confira o perfil de nossa missionária Samara Flôres.

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Quaresma e sínodo: qual a relação?Quaresma e sínodo: qual a relação?

Toda a Igreja está convocada pelo Papa Francisco a percorrer o caminho rumo ao Sínodo (outubro 2023): “Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”. Assim, ele “convida a Igreja inteira a se interrogar sobre um tema decisivo para a sua vida e a sua missão: “O caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio”

A Igreja de Jesus Cristo, ao longo de sua história, concretizou muitos passos e aprendizados. Foi notadamente, no Concílio Vaticano II (1962-1965), que ela percebeu com clareza que o melhor jeito de ser e de caminhar, para bem cumprir a sua missão, é o “jeito sinodal”. Não se trata de tarefa fácil, exige muita preparação e profunda conversão de todos ao projeto de Deus.

O objetivo principal deste Sínodo é refletir sobre a missionariedade da Igreja. O que o Papa Francisco deseja é uma Igreja sinodal, ou seja, uma Igreja de comunhão e missionária que deve ser construída em unidade. Uma Igreja sinodal é uma Igreja missionária.

Todos os batizados são chamados a dar a sua contribuição a esta reflexão.

Sinodalidade é o esforço coletivo e a busca contínua de aprendermos a “caminhar juntos” como irmãos e irmãs que somos. A Quaresma é um tempo propício para se colocar a escuta de Deus e retomar um caminho de intimidade com Ele.

E se nós aproveitássemos da Quaresma para viver essa escuta em comunhão com todo o povo de Deus?

Foi pensando nisso que a rede social de oração Hozana criou um itinerário de Quaresma para aprender a se escutar.

Durante este retiro nós iremos entender, junto com participantes do mundo inteiro (entre eles a Comunidade Aliança de Misericórdia, a Comunidade Recado e a Comunidade Filhos de Maria), o que significa este caminho sinodal e como nós podemos vivenciar, na prática, a comunhão, participação e missão sugeridas pelo Papa Francisco.

Clique aqui para se inscrever e venha viver esse momento de comunhão, participação e missão conosco!

Ir em missão apesar do medo!Ir em missão apesar do medo!

Nossa missionária Érika Teles faz parte da equipe atual da CENPJ, uma missão que sacudiu seu coração quando recebeu o convite. Confira essa partilha dela a seguir:

Há alguns meses atrás, recebi a notícia de que havia sido convidada a compor a equipe da CENPJ (Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB), fui impactada pela notícia, até achei que fosse uma brincadeira, mas depois caiu a ficha… Deus me concedia uma grande responsabilidade.
Fazer parte dessa comissão nunca nem sequer passou pela minha cabeça, foi uma grande surpresa de Deus.

Inicialmente, fiquei com medo, preocupada, pois eu não sabia muito, não me sentia capacitada para tal, o que fazer? Como agir? Como se dará isso? Por que eu? Por que agora? Essas foram algumas das perguntas que se passaram em meu coração!

Lembro que nesse dia, depois da euforia e nervosismo fui pra capela, questionei Deus, chorei e entreguei pra Ele, acreditando que se Ele me dava essa missão, algo Ele queria realizar em mim e através de mim.

As coisas foram se acalmando e eu já me preparava para a primeira reunião que teria com a equipe. A reunião aconteceu em SP, eu viajei sozinha e passei por diversos “apertos” e aventuras, foi meio que um pulo no escuro, mas até mesmo aí, consegui enxergar o cuidado de Deus, a providência Dele em todos os momentos.

Fui a primeira da equipe a chegar ao local, estava temerosa, nervosa e ansiosa, eu não sabia o que iria encontrar e temia encontrar-me deslocada, mas mais uma vez fui surpreendida por Deus, me senti acolhida, fui recebida com alegria e entusiasmo e tudo alegrou e acalmou meu coração.

Nos dias seguintes, reunimos toda a equipe e me encontrei “encaixada” como se aquele lugar fosse feito para mim, eis que brotava uma pequena semente de esperança em meio a todo temor. Eu sabia que eu era e que seria uma pequena gota num imenso oceano, mas que aquela gotinha podia fazer diferença na vida de tantos jovens, me alegrei por perceber tamanha confiança do Senhor para comigo que sou tão infiel e desconfiada.

Ouvir os bispos, suas colocações e conselhos (tão sábios por sinal), padres, a irmã que é nossa assessora, os outros jovens com suas representatividades a respeito dos desafios que teremos que enfrentar, me deu o imenso desejo de arregaçar as mangas e dar o meu melhor para que todos aqueles que eu encontrar pelo caminho conheçam a Jesus Cristo que é o sentido de toda nossa existência, que é Aquele por quem o nosso coração anseia… quero ser sinal de sua luz e testemunhar com minha vida que Ele é o Verbo que se fez Carne, é o Deus que se fez homem por amor a nós!

Peço a Deus a graça da constância, da humildade e da prontidão para em tudo amar e servir e para perseverar até o fim, fazendo sempre a sua vontade!

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Gostou? Saiba mais sobre o evento neste link. 


 

Érika Teles | Missionária da Comunidade Filhos de Maria e membro da equipe da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB


 

XXIX Dia Mundial dos EnfermosXXIX Dia Mundial dos Enfermos

11 de fevereiro, memória de Nossa Senhora de Lourdes, é o Dia Mundial dos Enfermos. Neste ano, celebramos o XXIX Dia Mundial dos Enfermos. Neste ano com o tema: «Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8). A relação de confiança, na base do cuidado dos doentes.

Em sua mensagem por ocasião deste dia, o Papa Francisco afirma que “é momento propício para prestar uma atenção especial às pessoas doentes e a quantos as assistem quer nos centros sanitários quer no seio das famílias e comunidades. Penso de modo particular nas pessoas que sofrem em todo o mundo os efeitos da pandemia do coronavírus. A todos, especialmente aos mais pobres e marginalizados, expresso a minha proximidade espiritual, assegurando a solicitude e o afeto da Igreja.”

Nos explica que “O tema deste Dia inspira-se no trecho evangélico em que Jesus critica a hipocrisia de quantos dizem mas não fazem (cf. Mt 23, 1-12). Quando a fé fica reduzida a exercícios verbais estéreis, sem se envolver na história e nas necessidades do outro, então falha a coerência entre o credo professado e a vida real. O risco é grave; Jesus, para acautelar do perigo de derrapagem na idolatria de si mesmo, usa expressões fortes e afirma: «Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos»(23, 8).”

Continua o pontífice nos lembrando que “o mandamento do amor, que Jesus deixou aos seus discípulos, encontra uma realização concreta também no relacionamento com os doentes. Uma sociedade é tanto mais humana quanto melhor souber cuidar dos seus membros frágeis e atribulados e o fizer com uma eficiência animada por amor fraterno. Tendamos para esta meta, procurando que ninguém fique sozinho, nem se sinta excluído e abandonado.”

Finaliza ele: ‘Todas as pessoas doentes, os agentes da saúde e quantos se prodigalizam junto dos que sofrem, confio-os a Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos. Que Ela, da Gruta de Lurdes e dos seus inumeráveis santuários espalhados por todo o mundo, sustente a nossa fé e a nossa esperança e nos ajude a cuidar uns dos outros com amor fraterno. A todos e cada um concedo, de coração, a minha bênção.”

Confira o texto na íntegra aqui.